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  <title>roberttto</title>
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  <description>roberttto - LiveJournal.com</description>
  <lastBuildDate>Sat, 08 Jan 2005 17:07:49 GMT</lastBuildDate>
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  <lj:journal>roberttto</lj:journal>
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  <pubDate>Sat, 08 Jan 2005 17:07:49 GMT</pubDate>
  <title>A Virtude Superior</title>
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  <description>&quot;...&lt;br /&gt;Por isso, à perda do Caminho segue-se então a Virtude&lt;br /&gt;À perda da Virtude segue-se então a Bondade&lt;br /&gt;À perda da Bondade segue-se então a Justiça&lt;br /&gt;À perda da Justiça segue-se então a Polidez&lt;br /&gt;Assim a Polidez é o empobrecimento da fidelidade e da confiança&lt;br /&gt;É o princípio da confusão...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito nestas palavras do Tao Te Ching o mais profundamente que posso. São do Poema 38.&lt;br /&gt;Há quem traduza &quot;Polidez&quot; por ritualismo, Justiça por moralidade e Bondade por caridade. São tentantivas. Acho as palavras como no texto acima mais exatas. Os salamaleques do ritualismo limita-se com a polidez da cortesia, é a liturgia da convivência social muitas vezes exterior e hipócrita. O Caminho, como bem se traduz em outro texto de Rhoden é a &quot;vida nas profundezas do seu próprio ser&quot;.</description>
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  <pubDate>Tue, 21 Dec 2004 05:35:36 GMT</pubDate>
  <title>Motivo</title>
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  <description>Na falta de um texto próprio (é que estou muito preguiçoso, mais do que o normal) , tenho a graça de posta este belíssimo poema de Cecília Meireles. Tão conhecido que dispensa comentários. Quem já não o leu... e pensou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;&lt;br /&gt;Motivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu canto porque o instante existe&lt;br /&gt;e a minha vida está completa.&lt;br /&gt;Não sou alegre nem sou triste :&lt;br /&gt;sou poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmão das coisas fugidias,&lt;br /&gt;Não sinto gozo nem tormento.&lt;br /&gt;Atravesso noites e dias&lt;br /&gt;no vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se desmorono ou se edifico,&lt;br /&gt;se permaneço ou me desfaço,&lt;br /&gt;não sei, não sei. Não sei se fico&lt;br /&gt;ou passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que canto. E a canção é tudo.&lt;br /&gt;Tem sangue eterno e asa ritmada.&lt;br /&gt;E um dia sei que estarei mudo:&lt;br /&gt;mais nada.&quot;</description>
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  <pubDate>Mon, 18 Oct 2004 03:44:51 GMT</pubDate>
  <title>Felicidade de Cada Dia</title>
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  <description>Hoje E.. me escreve falando da felicidade, como uma coisa impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz isso ao comentar o fim da novela da Globo &quot;Celebridades&quot;. Fala dos mau-caratismos e de outros sucessos do mundo das novelas. Conclui que não existe felicidade. Tudo acaba bem apenas no mundo dos folhetins... &lt;br /&gt;Denuncia ao final a mentira, a hipocrisia, a falsidade que existiria invariavelmente por trás de todo relacionamento que se promete eterno e feliz. Felicidade não existe! Desabafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que não existe mesmo, pelo menos como é idealizada, como é culturalmente construída e inculcada. Ela, a Felicidade, mais simples, mais sutil, silenciosa, é construída lentamente dentro da gente. Não obstante a paz das favelas, a paz de G. Bush, a paz dos cristãos e dos budistas - diria, até - apesar de tudo, a paz irrefutávelmente, certa como a morte do nosso corpo, vai se construindo dia a dia como uma ruga nova que aparece na nossa expressão, um fio que se torna mais branco e mais fino, a voz que se torna mais tranquila, os olhos mais distantes, mais penetrantes, mais serenos. Fazemo-nos mais usufrutuários do corpo que nos é dado tão precariamente para uma alma tão ansiosa por viver. É essa alma viva, cúmplice do corpo cansado que - sem esquecer o corpo, vai construindo a felicidade nossa de cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As demais pessoas, iguaizinhas a nós próprios, fazem parte da Construção mútua e misteriosa. É uma questão de fé. E, como pregam os cristãos, teofanias, milagres, palavras, gestos, pão e vinho, calvários, sepulturas e ressurreição, são elementos necessários para este processo de realização da Vida: Felicidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os budistas diriam tão somente: luz! Paradoxalmente, quando estamos enevoados pelo sofrimento, a verdade nos vem mais clara e cruel, parecendo negar o amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, com meus olhos míopes, decepcionados, cansados de esperar e sofrer; com as mãos frouxas, recalcitrantes em fazer carinhos incertos e tecer frágeis véus de alegria; as pernas cambaleantes de correr para os desencontros, descubro que menos me amei e por causa dessa experiência egotista deixei de amar tudo o mais, principalmente as pessoas mais próximas - e incrivelmente - as mais amorosas comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tenho do quê dei de mim. Sou perdulário da vida. Deixo o Céu cuidar de mim. Meu membros frágeis, meu corpo leve e cansado, minha alma inquieta, apenas repousam em Deus e se sentem compreendidos e perdoados. A Felicidade por fim, vai se construindo como um dom para mim imerecido. Dom divino.</description>
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  <pubDate>Tue, 12 Oct 2004 19:35:24 GMT</pubDate>
  <title>Quando o Bicho Corria.</title>
  <link>http://roberttto.livejournal.com/1067.html</link>
  <description>Todos os dias o bicho corria às quatro horas da tarde. Dava no rádio, se ouvia de todo canto, de ponta à ponta da Paraíba: &quot;U de Ubaldo, R de Raul, A de Antônio...&quot; O acaso ia confirmando os sonhos. Havia quem &quot;amarrasse&quot; o bicho, ou seja, repetisse a aposta, com valores crescentes, a cada vez, para compensar o tanto que já fora investido. &quot;Não se amarra o jacaré, bicho que dá em lagoa...&quot; &quot;Quem amarra o macaco pode perder tudo. Macaco é danado.&quot; &quot;Amarra-se sim: cabra, touro, vaca, cachorro...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bichos são eventos dos globos mecânicos da Loteria Estadual, êmulos dos sonhos. Tem sonho que não dá para bicho. Outros que carecem de interpretação. &quot;Sonhar com uma moça bonita, joga-se borboleta.&quot; &quot;Sonhou com festa ou casa, joga-se vaca.&quot; &quot;Sonhou com carro, joga-se elefante, que é coisa grande, ou touro, que boi é animal de puxar carro.&quot; Os sonhos correm à noite. O mistério do acaso, o jogo do destino, confirma-se pela tarde do dia de hoje o que já suspeitávamos na penumbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia o bicho corrido dos amores proibidos, espúrios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou-me meu pai, que o bicho corria no sítio Catolé, à meia-noite, de quinze em quinze dias... Era um estrupício de assombração. Bodes e cabras aos berros jumentos e cavalos cachorrada infernal embrulhados com porcos e galinhas. Lá vinha o bicho pela estrada, avançava às carreiras, passava no terreiro, tinha animal que chegava a roçar a porta da frente da casa. Ouvia-se tudo com muito medo e curiosidade. O gado no curral se espantava, forcejava a cerca. Ropiam e corriam e estouravam para o mato. No outro dia, ia-se recolher os bois, vacas e bezerros. Não era tarefa fácil. O boi olhava para a gente, espantado, bufava desconfiado, não queria voltar. Um dia, meu pai e os dois irmão mais velhos encostados a ele, quiseram esperar o bicho armados com uma espingarda. Sabiamente meu avô não lhes permitiu. Podia ser a Burra-de-Padre que solta fogo pelas ventas. O mistério ia-se se revelar aos poucos. Entenderam depois que havia amores que só eram possíveis no absurdo das sombras, espantosamente voluptuosos, acremente rechaçados. Era preciso cobrir-se de capas, couros, chocalhos, fazer o lobisomem... enfim, em algum lugar do escuro, enquanto todos dormiam, o amor velava. Bicho eram os conceitos estreitos e a cena social em que os amores aconteciam, nos largos terreiros e caminhos. Carregados de véus e tabus que estavam, doce e liricamente os amantes se despiam.</description>
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  <pubDate>Sun, 25 Jul 2004 19:18:49 GMT</pubDate>
  <title>Ideogramas</title>
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  <description>Acho excelente esse Poema 18 do Tao The Ching:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Quando se perde o Grande Caminho&lt;br /&gt;surgem a bondade e a justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Quando aparece a inteligência&lt;br /&gt;surge a grande hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Quando os seis parentes não estão em paz&lt;br /&gt;surgem o amor filial e o amor paternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Quando há confusão no reino&lt;br /&gt;surge o patriota.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou míope e tenho também a vista já cansada. Minha escrita é pequena e tímida. Desenho, rabisco quase incompreensivelmente mas a linha é reta, regular, e os garranchos são mais ou menos uniformes. Muito me impressiona ver as palavras escritas de próprio punho, sejam de quem for. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem palavras em que já não vejo radicais, afixos e outros aspectos morfológicos ou mnemônicos. Vejo-as como ideogramas. Aperto os olhos para ajustar a vista, sinto-me longe, no interior da palavra. Me ocorre a expressão &quot;limite&quot;, como horizonte; e aquela outra, decantada pelo Vinícius de Morais, &quot;tenho os olhos cansados de olhar para o além...&quot; Estou aqui desenhando ideogramas de palavras banais... mas outras, ariscas, arredias, só me são submetidas quando etimologicamente dissecadas. Dessas exploro toda a sua forma, como que para domá-las até se tornarem ideogramas puros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aperto os olhos, fecho-os, quase sonho. Não há limites dentro de mim, nem tão pouco horizontes, só palavras soltas de um canto cósmico.</description>
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  <pubDate>Sun, 11 Jul 2004 04:38:09 GMT</pubDate>
  <title>Auto-retrato falado, só um close</title>
  <link>http://roberttto.livejournal.com/696.html</link>
  <description>Vim de um útero granítico. Flor de feldspato e mica, florescência aguda e arrogante do Alto Sertão. Cajazeiras com dureza e brilho. Tenho a natureza crua dos carrascais sertanejos: dura e pacífica e surpreendentemente fértil quando orvalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neblina no quebrar-da-barra do dia de Santa Luzia me faz em transe. Sei manter a esperança até o dia de São José e maravilhar-me com magras nuvens. Tenho a calma dos lajedos e o verde hirto do chique-chique. Eu também sou Chico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfara-me a banalidade da chuva abundante do Litoral.  A fraqueza esguia da cana - dobradiça, curvada ao sabor do vento, em silêncio ou em murmúrio tímido. Canavial monótono de gente quase morta. Aqui, o verde me é o exílio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci embalado pelas cabras. O Sabiá choroso, a Rasga-Mortalha agoureira, o Bem-Te-Vi atrevido, o Pinta-Silgo alegre, a Fogo-Pagou, passarinhos tão próprios, próximos, internos à minha natureza telúrica, tão belos, ao mesmo tempo inexplicavelmente, paradoxalmente, exóticos: cantar pra quê? O assum-preto incongruente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada publiquei. Sou o dorso nu, exposto, saudoso, os vergões da Serra da Arara,  o horizonte azul da minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot; - Longe como a serra. Bonita e arrumada. Só de longe é assim&quot;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burguês miúdo, bem estabelecido, depois de ralar no mundo da música e um pouco na Universidade. Tentei uns seis a sete cursos mas, confesso, minha paciência é medíocre. Saltei a fogueira de vários concursos públicos e por fim, acabei numa repartição fria, de paredes pálidas, doente como um hospital, onde as pessoas se saúdam como os médicos: doutor fulando, doutor sicrano... hajam pacientes, hajam mazelas. Tudo é frenético, urgente, mas a morte é certa. Tudo tão formal, tão honesto, tão esgazeado. Encaro o serviço público como quem passa uma chuvada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada publiquei, minhas coisas são por demais inúteis. São bens fora do mercado como as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouso sublimar o por-do-sol vermelho, quente, silencioso, como a ciência da morte iminente. Suspenso que estou, a vespa vem zumbir a transitoriedade das coisas. Sob os meus pés a rocha, a flor. O grilo canta, é noite.</description>
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  <pubDate>Mon, 05 Jul 2004 05:36:16 GMT</pubDate>
  <title>Note Pad</title>
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  <description>Preciso aprender a fazer notas e guarda-las num computador, ou ainda, na rede mundial. Chegará o dia em que a Internet conterá todos os nossos rabiscos. Será o adeus aos papéizinhos soltos, as notas em cadernetas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me do meu Tio Quirino que anotava palavras pesquisadas no dicionário e deixava os papéizinhos nos bolsos das camisas. Depois puxava um a um, desdobrava-os cuidadosamente, e ia me perguntando se eu conhecia tal palavra e suas muitas acepções... Era uma memória auxiliar, um jeito de conservar o mundo em sua riqueza substantiva... Era a sintaxe do frágil que se abria sob seus dedos imprecisos, cuidadosos, vistos através da lente grossa da sua presbiopia, a tradição da vida pelas preposições do encontro efêmero. Eu era menino, não havia ainda mundo bastante na minha vida e as palavras eram quase todas sem sentido ou no mínimo arbitrárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vejo o mesmo dicionário de folhas amareladas, sem notas, somente lembranças avulsas.Eu aqui, agora, solitário, sujeito simples, testando este bloco de notas para que não perca a memória dos meus dias.</description>
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